A FRONTEIRA ENTRE A NEUROLOGIA E A REMAUTOLOGIA

A relação entre doenças neurológicas e reumatológicas é complexa, multifacetada e desafiadora, muito além de complicações neurológicas das doenças sistêmicas já bem reconhecidas. 

Primeiramente elas compartilham sintomas, como fadiga e dor crônica, o que pode mascarar uma doença neurológica subjacente. Não obstante, doenças neurológicas podem ser secundárias à complicação específica de tratamento reumatológico, como as doenças desmielinizantes que estão associadas aos tratamentos com ação anti-TNF.

A autoimunidade atinge a neurologia em todos os seus segmentos, desde o nervo periférico e placa motora até o sistema nervoso central, com apresentação variada, seja na forma de doença desmielinizante ou como encefalite, ataxia progressiva, paralisia flácida, dentre outros. A compreensão dos distúrbios autoimunes na neurologia cresceu muito na última década com o reconhecimento das encefalites autoimunes e os anticorpos contra a antígenos da superfície celular de neurônios ou proteínas sinápticas.

Doenças neurológicas imunomediadas, como a miastenia gravis (MG) e a neuromielite óptica (NMO), possuem associação conhecida com 23 outras doenças autoimunes, representando cerca de 30% dos casos. A associação mais comum é com afecções autoimunes da tireóide ( 10-17%). A relação com o lupus erimatoso sistêmico (LES) ocorre em 2-8%, artrite reumatóide e Sjögren em 2-4%. MG associada à outras doenças autoimunes possui um prognóstico desfavorável. É importante considerar a coexistência de MG em pacientes com distúrbios autoimunes que apresentem fraqueza neuromuscular, fadiga e insuficiência respiratória.

As mielites transversas nas colagenoses, apresentação neurológica não incomum, estão associadas à positividade ao anticorpo antiaquaporina 4 (AQP4-IgG) em até 80%, assim como a neurite óptica recorrente, enquanto este anticorpo não é presente em outros quadros neurológicos. A alta especificidade deste anticorpo (100%) somado às apresentações fenotípicas típicas da doença relacionada ao AQP4 indicam que, ao invés de ser uma complicação neurológica, trata-se da neuromielite óptica (NMO) como comorbidade, o que ressalta a necessidade de pesquisar o AQP4-IgG na ocorrência de lesão desmielinizante típica nas colagenoses, principalmente a mielite.

Extrapolando para além do risco entre doenças imunomediadas, as doenças autoimunes estão associadas à maior risco de epilepsia, até sete vezes maior do que a população geral nos pacientes com LES  e nove vezes na síndrome do anticorpo antifosfolípide, por exemplo. Por fim, doenças autoimunes estão relacionadas com maior incidência de doenças neurológicas degenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica, cujo risco é de duas a seis vezes maior em pacientes com LES/Sjögren  e polimiosite, respectivamente.

Considerando que cerca de 5% da população é afetada por uma ou mais doenças autoimunes e que paciente portador de uma doença autoimune tem risco aumentado em desenvolver uma outra, é necessário que o reumatologista fique atento à possibilidade de uma doença neurológica imunomediada subjacente.

 


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