VACINAR OU NÃO VACINAR? EIS A QUESTÃO

A reumatologia é mesmo uma especialidade que nos obriga a conhecer não só sobre doenças e medicamentos, mas também sobre exercício físico, nutrição, psicologia e imunização. Haja cérebro pra guardar tanto conhecimento!

Quando o tema é vacinação, são muitas as dúvidas, principalmente diante do cenário atual, onde encaramos surto de febre amarela e ressurgimento de doenças previamente erradicadas como sarampo e poliomielite. Por azar, todas essas doenças são imunopreveníveis através de vacinas de agentes vivos, contraindicadas em imunossuprimidos.  No meu caso, como pediatra, ainda tenho que encarar pais que se recusam a vacinar seus filhos por medo de reações adversas.

Todos nós sabemos que não devemos aplicar vacina de agente vivo em paciente imunossuprimido, nenhuma vacina nos períodos de intensa atividade de doença e que, diante de epidemias, cada grau de imunossupressão deve ser avaliado separadamente (para uniformizar a conduta temos as orientações lançadas pela SBR). A intenção deste artigo não é esmiuçar sobre isso. Estamos aqui para termos argumentos diante de recusas vacinais e sabermos como orientar o paciente sobre quais vacinas ele pode ou não tomar. 

Em 1998, o médico inglês Andrew Wakefield publicou uma pesquisa na conceituada revista Lancet, descrevendo 12 crianças que desenvolveram autismo, relacionando tal fato à vacina MMR (tríplice viral), que protege contra sarampo, rubéola e caxumba e que havia sido aplicada em 11 das 12 crianças estudadas.  Após esta publicação, os índices de vacinação de MMR começaram a cair por todo o mundo.

A pesquisa chegou aos Estados Unidos e lá o vínculo com o autismo não foi feito com a MMR, mas sim com o timerosal, componente presente em algumas vacinas. Após anos ambas as teorias foram desmontadas e o elo entre autismo e vacinas foi descartado pela comunidade científica. Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido cassou o registro profissional de Wakefield e a Lancet se retratou, tendo sido este o único estudo a ser retirado da revista em toda a história. Entretanto, toda essa retratação não foi suficiente para evitar o crescimento, atualmente exponencial, de um movimento “anti vacina” em todo o mundo.

Vacina tem efeito colateral? Sim/ Grave? Quase nunca, mas não se pode prever/ A doença a ser prevenida é grave? Sim/ O que pode acontecer se eu tiver a doença? Sequela ou óbito/ Se eu tenho contraindicação para tomar a vacina, como posso me prevenir? Orientando seus parentes e amigos próximos a estarem vacinados para não te contaminarem. Pronto, está aí nosso argumento para ajudar o paciente em sua escolha. Aproveito para lembrar que a vacinação de crianças e adolescentes não é facultativa, ela é um direito e obrigatória, devendo o médico assistente acionar o conselho tutelar caso atenda um caso de recusa dos pais.

Em resumo, deixe um bilhete no cartão vacinal do seu paciente: “Vacina de agente vivo só após autorização médica; todas as outras vacinas podem ser tomadas sem problema”.

Aline Fraga, reumatologista pediátrica, presidente da Sociedade de Reumatologia do ES

 


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